Por: Rayana

| 12.01.10 |


PhotobucketDesde que escrevi meu único post direto sobre RPG para meninas, tenho recebido muitos comentários e pedidos de mais textos sobre o ponto de vista da minoria das minorias do mundo nerd RPGístico. Sim, meninas, querendo ou não, nós sempre seremos minoria neste mundo cheio de testosterona, pelos e arrotos dos garotos da mesa. Mas ser a única fêmea num jogo não significa que você tenha que ser a menos importante, frágil ou “sem bagos” da história.

Tenha atitude ao chegar para jogar. Se arrume! Se você for solteira e gosta de nerds, onde melhor você vai arrumar um pretendente senão na sua própria mesa de RPG? Mostre que você fez sua lição de casa e tenha a ficha sempre atualizada e em mãos. Barganhe um item novo pela sua atitude, se mais ninguém se mostrar tão “aplicado”. Não faça uma personagem sem graça, mesmo que você seja tímida na vida real. Chute bundas, corte cabeças ou atire raios nos inimigos e mostre que seu grupo depende de você naquela batalha, seja ela complicada ou não.

Faça piadas nerds, mas não enquanto alguém está falando sério. Isto é um jogo, um entretenimento, mas não significa que tenha que ser esculachado. Se você tiver dificuldades de memorizar nomes de NPCs ou mesmo as características dos seus poderes, não tenha vergonha de anotar e ter cartinhas com nomes que te lembrem sempre. Dê o seu toque feminino nelas, afinal, você não precisa ser um troll das cavernas para jogar RPG, mas sim uma menina/mulher com todas as suas características. Assim, você se destaca muito mais quando vai a eventos de jogos e os caras te olham diferente. Não, você não é estranha, é aquele seu decote e seu cabelo bem cuidado que chamam a atenção. Não tenha vergonha, isso não vai te tornar superficial, menos inteligente ou menos ligada ao mundo nerd que nós tanto amamos.

PhotobucketTenha referenciais, mas seja o seu principal. Eles ajudam você a ter mais atitude às vezes. Por exemplo, eu adoro a Mulher Gato e a Zatanna. Quem sabe eu não poderia botar um pouco mais dos estilos pessoais delas na minha personagem durante alguma aventura?

Se interesse pela cultura nerd geral. Não precisa se tornar uma expert em todos os assuntos, mas procure conhecer os fundamentos da sociedade geek do mundo, seus filmes, livros, HQs e afins. Você não precisa gostar de tudo (eu não gosto de mangá). Assim, você vai pegar com mais facilidade as piadas e comentários.

Se você namora alguém da mesa, principalmente o Mestre, não tente puxar vantagem para o seu lado, isso só trará inimizade com o grupo e dificilmente você será bem vista por eles. Se você ganhar algumas vantagens justamente, a culpa não é sua e eles com certeza verão isso. Principalmente se você, sozinha, matou alguns camponeses zumbis com dados altos. Todos viram que você teve sorte e se deu bem por conta própria. Às vezes, algumas pessoas questionam uns valores altos da minha ficha, mas todos eles foram feitos com rolagens de dados e até algum tempo atrás eles estavam errados, para menor! Não tinha muita experiência com fichas até então e alguns números ficaram errados, mas isso é perfeitamente normal.

Quando for adquirir novos poderes ao subir de nível, converse com as pessoas do grupo com mais experiência de jogo o que seria mais interessante de pegar, mas antes, escolha por conta própria o que você gostaria. Isso ajuda você a criar o seu próprio bom senso e a tomar decisões por conta própria.

Monte a sua personagem como você quiser, mas não abuse das loucuras. Converse com seu Mestre sobre as suas idéias. Seja criativa!

PhotobucketTenha dados maneiros. Eu fiz minha coleção de dados rosas e roxos. Como no resto da minha mesa só tem cueca, fica mais fácil de identificar um perdido na mesa, afinal, aquele rosa com brilho só pode ser o seu. Isso não é sinônimo de ser “patricinha” e sim ser feminina. Rosa nem é minha cor favorita nem nada, mas eu gosto desse toque de feminilidade dentro deste mundo tão masculino.

E o mais importante: divirta-se sempre!

O Mestre e a Pinguim tiraram um longo período de férias das postagens, mas eles estão de volta com tudo em 2010! :)

Por: Balard

| 11.08.09 |


PhotobucketD&D sempre teve uma longa história de amor com itens mágicos. Nos primórdios, os itens e as moedas eram mais importantes que a experiência adquirida matando monstrinho. O objetivo de vida assumido dos personagens era adquirir tesouros e mais tesouros. O próprio dragão, sendo o desafio final, era não apenas por ser o bicho mais difícil, mas também porque ele dormia numa montanha de moedas de ouro com uns itens mágicos espalhados.

Até a 2ª Edição, criar itens mágicos novos sempre foi divertido, assim como descobri-los. Com classes simples, a grande custumização e fontes de poderes dos personagens (tirando os magos) acabou virando seus itens. Na 3ª Edição, os itens receberam um papel mais importante. Finalmente calculados na matemática dos personagens, com tabelas de tesouro equivalente por nível, lojas de itens, e criação dos mesmos de maneira fácil pelos jogadores, o mercado de itens ganhou enormes proporções. Você tinha que gastar seu tesouro de maneira muito planejada para continuar efetivo ao longos dos níveis, ou ficaria para trás na “curva”.

Na 4ª Edição, ouve uma troca do paradigma e uma boa parte do poder que vinha dos itens foi parar nas próprias habilidades de classes, com os itens fornecendo uns toques menores. Em compensação, ficou bem claro quais itens você precisa ter a cada nível para se manter competitivo, e reduzindo essa quantidade, deixou de lado um pouco do efeito “árvore de natal de itens” da 3ª Edição. A parte chata é que a maioria dos itens é bem sem graça, com poderes atômicos, feitos para não brilharem mais que os personagens que os carregam. Mas como fazer os itens voltarem a ser grandiosos e intessantes de novo?

Com uma tabela irada, eles dizem claramente que tipo de bônus você precisa ter em que nível nas suas armas, armaduras e amuletos mágicos. Isso tira uma responsabilidade grande na análise dos jogadores do que eles precisam comprar. Outra coisa que ela faz é tirar a necessidade de se ter itens mágicos em primeiro lugar!

É simples, a cada 5 níveis o sistema espera que o personagem descole um bônus de +1 no ataque, dano e nas quatro defesas. O truque é dar esses bônus para os personagens, independente de itens. Existem algumas maneiras de se fazer isso:
- Dar o bônus simples: no nível 1, 6, 11, 16, 21 e 26 ele ganha +1 em todas as características acima citadas.
- Deixar o jogador escolher: a cada nível, ele ganha +1 em ataque, dano, AC, Fortitude, Reflexos ou Vontade. O máximo de bônus que ele pode ter em uma dessas caracteristicas é +1 no 1º nível, +2 no 6º, +3 no 11º, etc.
- No 2º, 3º e 5º níveis, e a cada 5 níveis depois desses, o jogador ganha os bônus de uma arma/armadura/amuleto de nível equivalente, sempre na mesma ordem.

O importante é dar aos jogadores os bônus, pra você ter liberdade de dar itens mais fortes. A idéia desses itens é que eles são tesouros. Esses itens complexos desse nível demorariam semanas, ou mesmo meses para fazer, as fórmulas foram perdidas, situações e itens muito específicos, e conhecimentos complexos e arcanos que demoram décadas para serem dominados (décadas que um mago, por mais poderoso que seja, não tem se ele fica por aí matando dragões e explorando masmorras). Resumindo, não são compráveis, nem podem ser feitos simplesmente gastando uma grana e pegando um talento.

Abaixo, vou apresentar alguns itens feitos aos moldes dos D&Ds mais antigos. Não tem muito a preocupação com níveis e custo. O mestre que for jogar um item desses na sua campanha precisa analisar que tipo de poderes e bônus o item vai conceder para os seus jogadores, e ficar de olho. Mas também não são tão importantes a ponto de serem artefatos e terem uma agenda ou coisa assim. Alguns exemplos pra estimular a criatividade:

Bazar do Bizarro

Espada de Fogo Ivan
Com uma conexão com o Plano Elemental do Fogo (ou a área equivalente no Caos Planar), essa espada é tanto uma benção quanto um problema. Suas chamas eternas nunca param de queimar, e são um risco para inimigos e usuários na luta. Sua bainha, que vem com seu nome escrito, é imune ao fogo e também uma maneira segura de guardar a arma.
É uma espada longa, mas que está constantemente envolta em chamas. As chamas nunca se apagam e iluminam a área em volta como se fosse uma tocha. Tocar as chamas causa 1d8 de dano de fogo. Esse dano é aplicado em adição a qualquer ataque que use a espada como arma. Caso o usuário da espada tire 1 no seu ataque, ele recebe 1d8 de dano de fogo ao esbarrar na lâmina sem querer. As chamas da espada também geram calor, e se comportam como chamas normais, exceto pelo fato de que não podem ser apagadas. A espada é sempre acompanhada de sua bainha especial, imune ao fogo, onde a espada pode ser guardada sem problemas para o usuário.

Manto do Morcego
Um manto largo e escuro, feito de um couro de origens desconhecidas. Uma palavra de ativação (”Aurim!”) se encontra escrita na parte de dentro do colarinho.
Benção da Noite – os poderes do manto só funcionam a noite, do momento que o sol se põe completamente ao minuto que ele começa a nascer. Durante o dia, ele parece um manto normal sem nenhum poder mágico aparente.
Proteção das Sombras – o usuário ganha +2 em testes de Furtividade, e um adicional de +3 (total de +5) se estiver tentando se esconder nas sombras.
Ao Céu Noturno (ação padrão) – ao segurar as pontas do manto, elas crescem como um grande par de asas coriáceas. Elas permitem ao usuário voar por uma hora total a cada noite (Voo 6 (clumsy)). Essa hora pode ser distribuída como ele quiser, mas cada ativação do poder gasta pelo menos 10 minutos dessa hora.
Forma do Morcego (ação padrão) – falando uma palavra de comando, o usuário se transforma num Morcego Comum. Diminuto, Voo 8 (clumsy grounded), ganha +5 na AC e nos Reflexos e Visão na Penumbra. Ele pode manter essa forma uma hora por noite, distribuídas como quiser, mas cada ativação do poder gasta pelo menos 10 minutos do total de 60.
Desativar ambas as formas é uma ação menor, ou ocorre automaticamente caso o personagem fique inconsciente.

Amon, a Espada de Gelo
Uma greatsword em ótimas condições, com uma série de runas dracônicas ao longo da lâmina. A arma emana uma aura de frio equivalente ao poder da onda de frio. Quando alguém a pegar, essa pessoa passa a ser o portador, até que morra. Sempre que estiver próximo dessa pessoa, a espada não gera o frio mortal. As runas significam “Amon, filha de Anthiokershpart, destruidor de Krumos”.
Uma Montante (greatsword) Mágica +1 com os seguintes poderes:
Canalizar – some o bônus de melhoria de Amon aos ataques e danos nos poderes da espada.
Fria (livre) – ao falar o nome da espada, ela muda de metal para um bloco afiado de gelo resistente, causando dano de gelo ao invés de dano normal.
Onda de Frio (minor) – uma onda de frio se espalha da espada ao ser mencionado o seu nome e de seu criador. Close Burst 2, Car vs Fort, 1d8 + Car de dano de gelo.
Explosão de Gelo (padrão) – ao mencionar, além de seu nome e de seu criador, o nome da besta de qual ela foi feita, a espada explode em fúria. Close Burst 3, 2d8 + Car de dano de gelo. O usuário da espada também é incluído na área de efeito e recebe o ataque.
Sincronia - tanto seu criador quando o demônio de qual foi feita eram especialmente sanguinolentos. A espada aumenta o bônus de +1 a cada 5 níveis, caso o personagem tenha sido particualrmente implacável com seus inimigos nesse tempo.

Cinto do Teleporte
Um cinto resistente de couro, com um fecho de ouro e um grande e desajeitado paralelepípedo de metal do lado oposto. Pouco maior que um palmo, com cinco gemas roxas em baixo relevo enfeitando. Ao ser examindada com cuidado, é possível destacar o objeto do cinto, e ele é praticamente indestrutível.
Destacar Foco (minor) – retira o grande retângulo que faz parte da fivela do cinto.
Teleportar (minor) – ao falar a palavra de comando (”Zimmos!”), o usuário se teleporta para o quadrado em que estiver o Foco. Caso o quadrado esteja ocupado, o usuário aparece em um quadrado vazio adjacente aleatório. Caso nenhum esteja disponível, ele toma 3d6 de dano elétrico e não pode usar o teleporte por 5 minutos. A palavra pode ser falada por qualquer pessoa próxima ao cinto, mas o teleporte só é ativado se o Foco estiver desafivelado do cinto.

Manoplas dos Titãs
Essas duas manoplas de ferro negro, com entalhes elaborados, são muito pesadas. Cada uma pesa pelo menos 50kg e parecem ser invulneráveis a danos. Ao vesti-las (com esforço), a pessoa fica subitamente mais forte, e o peso das manoplas é ignorado.
Carga Extra – dobra a capacidade de carga do usuário do cinto. O peso das manoples é ignorado para efeitos de carga.
Mãos Pesadas – as manoplas são bem pesadas, considere elas Marretas (Mauls) para realizar ataques.
Impacto Gigante - sempre que Empurrar ou Puxar uma criatura, acrescente 1 quadrado para usuários heróicos, 2 para exemplares e 3 para épicos.
Arremesso Gigante – dobra as distâncias de arremesso para todos os objetos arremessados pelo usuário.
Força Gigante – ganha +4 em testes de Agarrar, e se move 1 quadrado a menos em movimentos forçados.
Impacto Perfeito - sempre que acertar um crítico com um ataque com uma arma, Empurre 1 e cause 1d6 de dano extra para cada quadrado que o inimigo for empurrado.

Por: Balard

| 25.05.09 |


PhotobucketEm todo RPG, você tem na sua ficha de personagem uma série de fatores que determinam o que ele pode fazer. O mais básico são alguns atributos dizendo quão forte, rápido ou inteligente ele é. Conforme a história do jogo e seus vários sistemas forem avançando, classes, raças, perícias e um monte de outros dados são inseridos para deixar o personagem mais vivo.

Primeiro apareceram as vantagens. De maneira genérica, elas davam todos os bônus que alguma outra categoria não cobria. Chamadas pelo nome ou de Méritos, Talentos, Feats ou Edges, podem ser selecionadas para dar aquela cor ao personagem, ou apenas para fazer ele mais especializado na sua área de atuação.

As primeiras desvantagens eram derivadas dos próprios valores da ficha. Se você tinha força baixa, você era fraco. Se não era um mago, era incapaz de usar magias. Se não tinha Constituição alta, provavelmente era gordo ou magrelo… E assim por diante. Quando vieram os primeiros sistemas de pontos, com eles chegaram o próximo passo lógico: receber pontos por penalidades para o seu personagem.

É de uma lógica simples e aparentemente sem falhas. Se você paga 5 pontos por um bônus de +1 num teste, por exemplo, você ganharia 5 pontos por ter uma penalidade de -1 no mesmo teste. Acontece que no ramo de “tarifação” de vantagens e desvantagens, as coisas raramente são simples assim.

O que ocorre é que quando um jogador compra uma vantagem para seu personagem, ele pretende usá-la. Se o cara é um especialista em arco e flecha, pode contar que ele vai tratar de estar em todas as lutas o mais longe do combate direto possível. Um outro personagem que seja míope vai querer ficar sempre perto de seus inimigos, para ter o mínimo de desvantagem. Esse comportamento é visto em todos os jogos e em todos os sistemas.

Alguns jogadores se revoltam com essa atitude, essa tentativa suprema de ganhar o maior benefício pelo menor custo. Especialmente em desvantagens, em que o sujeito pode comprar e esquecer. Ou comprar e porque a aventura é de um determinado tipo e o personagem de outro, a desvantagem quase nunca vai atrapalhar de forma significativa. E eles não tem nenhuma culpa nisso. Se você fosse míope na Idade Média, dificilmente ia pensar que era uma boa idéia ser arqueiro. Ou se tivesse um problema crônico de flatulência, tentar carreira no Itamaraty. Esses detalhes são lógicos, e estimulados no próprio mundo real.

Mas e o povo que quer seguir contra o estereótipo, e jogar com o diplomata feio, ou o espadachim cego? Nesses casos, há dois tipos diferentes, ambos com semelhanças importantes. O diplomata feio vai querer ter a dificuldade de uma má impressão inicial, esta podendo ser superada pelas suas habilidades sociais. O tema aqui é quebrar o estereótipo. O espadachim cego quer ser tão bom quanto um espadachim normal (provavelmente melhor…), e sua cegueira é mais um detalhe na ficha, mais para falar “sou cego e fodão” do que realmente atrapalhar a vida do sujeito. Além disso, temos que ter um preço fixo da desvantagem Feiúra, seja ela usada por um diplomata (e vai atrapalhá-lo em quase todos os testes importantes dele), ou usada pelo bárbaro, que raramente vai fazer um teste social.

Então ambas tem o mesmo custo em pontos, as mesmas penalidades. A responsabilidade dela é atrapalhar ambos de maneira igualitária, ou pelo menos atrapalhar um mínimo para ser considerada uma Desvantagem. Agora temos o coitado do mestre, que além de ter que criar uma aventura emocionante, uma história interessante, agir com meia dúzia de NPCs ao mesmo tempo, tem que lembrar com que frequência cada desvantagem será usada contra cada personagem. E obviamente deixar essa frequência justa, que como podemos ver nos exemplos acima, é quase impossível. Um bárbaro feio vai ser muito menos atrapalhado pela feiúra que um diplomata feio. Não importa quanto o mestre se desdobre pra fazer o bárbaro rolar testes sociais.

Isso sem contar as diferenças de campanhas. Numa aventura mais política e social, uma desvantagem social é péssima. Num matar-pilhar-destruir não atrapalha em quase nada. Imagina-se que em termos de vantagens e poderes, os jogadores sigam as indicações do mestre. Jogadores raramente precisam de ajuda pra deixar os personagens deles bons. O problema é que é fácil existirem grandes discrepâncias nas desvantagens.

É um problema difícil, já que muitos sistemas de RPG usam desvantagens (ou coisas do tipo), e em quase todos eles elas tem um custo em pontos na criação do personagem. Quase? Sim. Vou chamar atenção para dois sistemas que tem soluções muito boas para todo esse problema.

PhotobucketO primeiro é o Mutants & Masterminds, agora com versão nacional, Mutantes e Malfeitores. Apesar de ter algumas desvantagens mais tradicionais como Fraquezas, ele tem a grande sacada das Complicações. Uma Complicação é alguma coisa que atrapalhe a vida do herói e o impeça de resolver um problema da forma mais eficiente possível. Sempre que um desses problemas atrapalha o personagem na aventura, ele ganha 1 ponto heróico. Um recurso muito importante e escasso no sistema, que permite o herói realmente fazer coisas heróicas e extrapolar os limites de seus atributos e poderes. Estão assaltando o banco e o herói está em sua identidade civil na fila? Vai ter que se virar sem usar os poderes do Super Mutante e detonar sua identidade secreta. Ponto Heróico. O vilão está na beira do abismo e pede socorro? Vai até ele e o salva, que coloca o personagem em mais uma armadilha. Ponto Heróico. Encontrou pela quinta vez no dia aquele metal ultrararo de um planeta extinto do outro lado da galáxia? Vai ficar com os poderes reduzidos e basicamente correr dos inimigos. Ponto Heróico.

PhotobucketO outro é o Storytelling, do novo Mundo das Trevas. Apesar do sistema ter uma mecânica de perda de Sanidade/Moralidade e ir deixando o personagem mais perturbado ao longo de sua carreira, as desvantagens do jogo oferecem as mesmas penalidades em várias jogadas que em outros RPGs. A diferença é que elas dão os pontos para melhorar o personagem no fim da aventura. Experiência Extra. Assim quanto mais seu personagem é atrapalhado pela desvantagem, mais forte ele vai ficando.

Em ambos os casos, a desvantagem não tem mais como ser vista como apenas uma artimanha para ganhar mais pontos para a construção do personagem, assim como o fato de tirar qualquer responsabilidade do mestre de se preocupar em fazer a desvantagem “valer”. Se ela atrapalhar em algo, o jogador ganha os benefícios. Senão é como se ele não tivesse desvantagem nenhuma.

Dessa maneira, o bárbaro que é feio como o cão chupando manga podre e seu irmão gêmeo diplomata podem andar na mesma aventura sem problemas, ganhando os bônus cada vez que rolassem um teste social. O espadachim cego ia ser tão bom quanto um espadachim com visão, talvez ganhando um bônus quando fosse importante ler alguma coisa. O mestre pode construir suas histórias livremente, e as desvantagens deixam de ser um peso mal calibrado, ou uma muleta cheia de pontos, e viram um artifício para injetar drama na história, quando a história pedir por aquele drama específico.

O mais belo dessa tecnologia é que ela pode ser inserida em qualquer sistema. Todo sistema de RPG tem alguma forma de ganhar experiência e evoluir o personagem. Basta usar o método de Storytelling, que até mesmo o D&D 1ª Edição pode ter desvantagens, sem a preocupação com equilíbrio. Se o psiônico quer ser maneta, até quando ele precisar agarrar numa beira quando cair, não vai mudar nada no jogo! Recomendo para quem quer dar uma incrementada na personificação dos personagens, mas sem precisar mudar de sistema ou criar regras complicadas para isso. :)

Por: Balard

| 11.05.09 |


PhotobucketSaiu o playtest do Monge de D&D, vamos analisar enquanto lemos.

Papel: Striker. Acertei essa.
Fonde de poder: Psionic! Mataram o Ki! Errei! Mas…

Psionic! YES!
PSIONIC NA PORRA DO PHB3 EBERRON E DARKSUN FTW! ELEVEN!

*mais calmo*

Atributos usados: Força, Destreza e Sabedoria. Acertei também.
O ataque desarmado funciona como uma arma, e pode ser encantado se usar o Ritual Enchant Magic Item (+3 1d8). Ganha bônus na AC, equivalente a uma armadura de couro, além das armas de Monk. Nada exótico como Kama e Tonfa. Tem todas no PHB.

IMPLEMENTS! RÁ! Sabia! :P
Nem li ainda, mas aposto que ele só vai atacar Fortitude e Reflexo, que nem o Druida. Destreza é o principal, com Força e Sabedoria sendo secundários.

É, a porcaria do Expertise é feat obrigatório agora. Que merda. Todos os meus bichos terão suas defesas reduzidas em 1, 2 ou 3 para compensar a “errata em forma de feat” (para quem não sabe, Weapon e Implement Expertise são feats que dão bônus secos para todos os ataques com uma arma ou implemento, e que aumenta ao longo dos tiers. Saíram no PHB2).

O Monk ganha um at-will extra que depende da sua Build. Nessa de playtest, temos uma que é o “dano de striker” do Monge. Sempre que você acerta um ataque pode dar um dano extra igual à sua Sabedoria. O legal é que, no nível 11, você pode dar esse dano em até duas criaturas, e no nível 21 em todas as adjacentes. :)

Temos o nome oficial dos poderes psíquicos: Disciplinas.

Parece que todos os poderes não-diários do Monge tem dois modos, um de ataque e um de movimento. Por exemplo, um dos at-wills pode ser usado para atacar o Reflexo para um dano igual ao da arma, com um bônus de Sabedoria se o cara tiver feito um ataque de oportunidade contra você, ou somar 2 na Velocidade.

O outro é mais um ataque contra Reflexo que dá Push 1, ou soma +5 no seu Salto e deixa você pular como se tivesse dado uma corrida. Acho que o Monge começou bem. O terceiro at-will é um ataque contra Fortitude, que deixa o cara Prone ou pode ser usado para trocar de lugar com um aliado ou um inimigo Prone. O último é um ataque contra Reflexo, em Close Burst 1, ou dá Shift em 2 quadrados. Os dois últimos tem dano fixo (1d6), enquanto os primeiros são o dano da arma. Todas as ações alternativas são ações de movimento.

Os poderes de encontro também tem dois modos. Já nos diários, temos um poder que após o dano deixa seu alcance Melee +1. E outro deixa você shiftar pelo campo de batalha e dar uma forte trombada em até 3 inimigos. Pena que esse só dá 1|w| em cada.

Os dois primeiros Utilities são de encontro. Um faz você shiftar o mesmo número de quadrados que teria sido afetado por movimento forçado e o outro dá PVs extras, que quando acabam dão um bônus no seu próximo ataque após o fim deles.

Um ataque de nível 29 tem o totalmente nerd nome de Heart-Sundering Strike, que todos vão chamar de “A Morte das Cinco Pontas”. Causa 5|w| de dano, metade se errar. Acertando ou errando, o alvo fica com Ongoing 10, e para cada save que ele falhar, o Ongoing aumenta em 5. No outro, você fica intangível e enfia o punho no coração dos inimigos. 7d6 numa Close Blast 3 e os alvos ficam Weakened (save ends). Se errar, é meio dano e Weakened por um turno. Ah! E você ganha Phazing e pode ficar insubstancial…

No mais, os poderes são bem legais. Os nomes são bem evocativos às artes marciais. Cobra Dancing, Drunken Monkey, Heart-Sundering Strike. Os Paragon Path apresentados são interessantes. Um ligado ao Shadowfell (Ghostwalker) e o outro é meio monge divino, atualizando o Radiant Fist. Ótimo artigo, dá para jogar tranquilo, indo do 1º ao 30º nível, incluindo 2 Paragon Paths e 4 at-will.

E o mais importante: Que venham os psiônicos em 2010, que fazem falta. E com sorte, Darksun! :)

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Por: Balard

| 25.04.09 |


Um amigo meu postou essa foto, não sei de onde, e me inspirou a fazer a raça. Apresento vocês ao Caninato!

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CARACTERÍSTICAS RACIAIS
Altura: 1,80 à 2,10
Peso: 67,5 à 110 kg

Atributos: +2  Strength, +2  Wisdom
Tamahho: Médio
Velocidade: 6 quadrados
Visão: Normal

Línguas: Comum, Élfico
Perícias: +2 Athletics, +2 Perception

Proteger Amigos: Ganha um bônus de +1 em todas as rolagens de dano caso um inimigo esteja adjacente a um aliado Sangrando (bloodied). Caso o aliado esteja Inconsciente, o bônus sobe para +3. Esse bônus aumenta para +2/+6 no 11o nível e para +3/+9 no 21o.
Rastrear pelo Faro: Você pode rastrear e fazer testes de Perception usando o faro.
Faro do Caçador:
Você pode usar o poder de encontro Faro do Caçador.
Mordida: Alguns feats raciais permitem o dogborn usar o ataque Mordida.

Faro do Caçador
Poder Racial de Dogborn
Se concentrando nos vários cheiros do combate, você pode prever onde seus inimigos se encontram.
Encontro
Ação Menor
Close Burst 4
Alvos: Criaturas na área
Efeito: Sabe a posição exata de todos os alvos, e ganha +1 em todos os testes de ataques contra eles até o fim do turno. O conhecimento de sua localização é mantido até o fim do combate, contanto que a criatura se encontre em até 4 quadrados.

Mordida

Poder Racial de Dogborn
Aproveitando a oportunidade, você leva suas poderosas mandíbulas ao encontro da carne inimiga.
At-will
Sem Ação
Meele 1

Requisito:
Algum outro poder ou habilidade permitir realizar esse ataque.
Alvo:
1 criatura
Ataque: Str + 3 + nível vs AC
Hit: 1d8 + modificador de For de dano.
Obs: Para realizar esse ataque, some seu nível, não metade dele como normal.

Dogborns estão no limite entre o mundo civilizado e o mundo animal. Originários da Feywild, conseguem facilmente aceitar as restrições impostas pelo mundo civilizado, mas sem conseguir deixar de lado seu lado animal. Ele caminham entre o mundo Material e a Feywild, servindo de guias, comerciantes e caçadores para quem precisa. São um povo muito amigável, apesar de terem costumes hostis (até bárbaros) para com desconhecidos. A amizade de um dogborn dura até a morte desse ou a traição de seu amigo. Em geral tem poucos inimigos. Além de serem dificilmente odiados por seu espírito alegre e disponível, dogborns são conhecidos por caçar até o fim do mundo qualquer um que tenha merecido sua raiva. Como um todo, são bem unidos entre si, talvez até demais no ponto de vista dos mais púdicos.

Jogue com um Dogborn se quiser…

- Ser um guerreiro habilidoso e implacável
- Ser o meio termo entre o selvagem e civilizado, a ponte entre dois mundos
- Fazer parte de uma raça que favoreça o Guerreiro, o Clérigo ou o Paladino

Qualidades Físicas:
Dogborns são altos e de ombros largos. Sua cara lembra um cão perdigueiro ou um buldogue. Seus caninos inferiores normalmente despontam para fora da boca e sua língua é muito comprida.  Tem a postura ereta bípede, mas os braços são longos, e muitos se sentem confortáveis em andar arqueados ou mesmo com as mãos tocando o chão. Possuem um rabo peludo, de cerca de 1 metro de comprimento. São cobertos de pelo, do branco ao preto, passando pelo marrom. Manchas, marcas, espessura, comprimento e mesmo o cheiro do pelo fazem padrões que definem os vários clãs e famílias dos dogborns, mas que fazem pouca diferença para outros humanóides. Suas orelhas são longas e caídas, e seu focinho normalmente molhado e sempre farejando os arredores. Dogborns como um todo desprezam roupas, usando apenas para fins cerimoniais e de proteção (como armaduras e roupas de frio), o que costuma chocar seres civilizados.

Jogando com um Dogborn:
Dogborns se orgulham de sua herança mista, e gostam de aceitar tanto a civilização e o mundo selvagem. O conceito de conforto é muito importante pra eles, que tentam tornar os ambientes onde vivem em lugares aconchegantes e tranquilos. Essa parte só é esquecida quando o lado caçador do dogborn é ativado. Normalmente por algum perigo em direção a ele ou mais importante, aos que ele considera seus aliados ou sua família.
Dogborns são muito fiéis aqueles que conquistam sua confiança, indo a grandes extremos para revidar ofensas que nem sofreram em prol de um companheiro. Ofender uma comunidade dogborn é um ato muito perigoso, pois eles serão implacáveis.
Dogborns observam o mundo através dos seus variados cheiros, dando muita importância a fragrâncias e suas nuances. Podem reconhecer o cheiro de uma pessoa tão fácil quando um humano reconheceria sua voz. Na sociedade dogborn, o cheiro é mais importante que a aparência. Um dogborn arrumado para um evento de gala pode salpicar uma série de fragrâncias e essências em vários pontos de seu corpo, mas estar pelado e sujo.
Dogborns são fiéis não só aos seus amigos, mas também aos seus deuses. A maioria das comunidades dogborn venera deuses da comunidade e da natureza, como Erathis e Melora. Indivíduos também costumam ser fiéis a Avandra, Bahamut e Pelor.
A sociedade dogborn possui poucas estruturas. A maioria dos grupos vivem em ambientes nômades ou tribais, com poucos indivíduos. O maior respeito vai para os mais velhos, os caçadores, os bardos da tribo. O líder é escolhido num desafio de caça, onde todos podem competir. Ele é sempre um dogborn macho. A sacerdotisa-mor do grupo é escolhida também por um teste, mas normalmente que envolve sua habilidade de conseguir recursos ou aliados para a tribo. Em ambos os casos essas posições mudam com frequência, a maioria são respeitados por suas habilidades muito antes de receberem o posto oficial, e outro costume forte dos dogborns é o abandono amigável do grupo caso haja discordância com os líderes.
A maioria dos dogborns seguem caminhos marciais ou divinos. Raramente um comunidade é civilizada o suficiente para originar classes arcanas, ou selvagem o suficiente para classes primais.
Todo dogborn é incentivado a trazer algo de útil para sua comunidade, então a maioria deles sabe um ofício que mais lhes agrada. Apenas os mais orgulhosos se tornam apenas guerreiros ou sacerdotes. Apesar deles conhecerem conceitos de posse e dinheiro, a maioria das vezes trabalham com a simples troca direta de favores em suas comunidades.

Aventureiros Dogborn:
Por viverem nas áreas de fronteira entra o selvagem e o civilizado, o material e o etéreo, a vida de um dogborn comum é cheia de aventuras.  A maioria dos dogborns aventureiros se separam de seu bando seguindo presas, inimigos ou aliados.
A curiosidade e o desejo de viajar não é incomum na sua sociedade, e muito de seu folclore é feito de heróis que sairam de suas vilas para procurar algo ou alguma coisa que nem mesmo sabiam.

FEATS RACIAIS
Heroic Tier

Faro Meste [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: A área do faro do Caçador aumenta para Burst 5 e o bônus no ataque dura até o fim do seu próximo turno.

Mordida Protetora [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: Uma vez por encontro, como uma Reação Imediata (Imediate Reaction), pode usar a Mordida contra um inimigo que tenha atingido você ou um aliado.

Correr como Cachorro [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: Ganhe +3 de Velocidade (Speed) ao usar uma Carga contra um inimigo que tenha um aliado seu adjacente.

Paragon Tier
Faro Perfeito[Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: Ganhe +5 em testes de Perception que envolvam o faro.

Cachorro Faminto [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: Ao acertar um crítico, pode dar uma Mordida como Reação Imediata.

Uivo Triste [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: Ao ter recebido um ataque que o deixou sangrando, ou um aliado ter ficado Inconsciente, uiva profundamente como Reação Imediata. Close Burst 3, Todos os inimigos no burst recebem -2 de ac (saves ends).

Epic Tier
Cão Raivoso [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: A mordida ganha High Critical, e acerta crítico em 19-20, além de somar + 6d6 no crítico.

Cheiro dos Deuses [Dogborn]
Pré-requisito: Dogborn
Benefício: O Faro do Caçador passa a ser ter burst 10, e o bônus dura 3 rodadas.

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Por: Balard

| 05.04.09 |


AH, o prazer de saber que somos novamente “mainstream”.

Como postado no blog do James Wyatt (um dos Caras da 4ª edição, que foi responsável pelo DMG e por Eberron), o Player’s Handbook 2 está em 28º lugar nos livros mais vendidos do USA Today, e em 4º (QUARTO!) nos livros de não ficção do New York Times.

Como diria o Igor:

Por: Balard

| 12.09.08 |


Mudança é algo visto com maus olhos por certos tipos de nerds. Fãs de história em quadrinhos são muito resistentes a mortes e mudanças grandes nos seus personagens favoritos. Fãs de filmes clássicos se contorcem com remakes ou continuações. E fãs de RPG fazem verdadeiras guerras quando descobrem que o seu sistema favorito, depois de 10 anos, vai ganhar uma nova edição.

D&D é o primeiro RPG da história, o mais jogado em todo o mundo. Há dois meses, ele recebeu sua 4ª Edição e muita gente não gostou, assim como aconteceu na 2ª Edição, na 3ª… E eu aposto que vai acontecer na 5ª também.

Após mais ou menos umas 4 sessões mestradas com as regras da 4ª Edição, vários personagens feitos e um grupo formado por jogadores com backgrounds muito diferentes (um que veio direto da 2ª Edição; um que jogou a 2ª e a 3ª e estava empolgado com a 4ª; um que jogou só a 3ª e estava cheio de dúvidas e um que não tinha muitas preferências), a opinião geral foi que era bom e parecia D&D.

O sistema está mais ágil, mais centralizado e com menos regras. Cada personagem tem sempre várias opções de ação, ataques e perícias. As classes estão mais equilibradas entre si e o sistema quase força os jogadores a trabalharem em equipe e se preocuparem com seus companheiros. Uma das melhores sacadas da edição nova são os poderes. Cada classe agora tem uma série de poderes, como o mago tem magias e o guerreiro tem manobras. Eles acrescentam muita vida para classes que antes eram limitadas às mesmas ações (o guerreiro fazia ataques normais, o ladrão tentava dar o ataque furtivo, enquanto magos e clérigos sempre tinham algo de diferente para fazer a cada rodada).

Eu não joguei em níveis mais altos, mas garanto que foi o melhor jogo de primeiro nível que eu já mestrei. Os personagens são mais resistentes e possuem muito mais capacidade de continuar lutando. Através dos PVs (Pontos de Vida) maiores e das Healing Surges, os personagens aguentam seguir em frente mesmo depois de muitas lutas. Apesar da resistência maior, eles não são menos mortais. Em média, 3 ataques bem sucedidos derrubam um personagem. A diferença é que ele tem mais facilidade para se levantar enquanto o combate rola e é bem fácil voltar aos 100% após o combate, porém, para ambos, ele gasta um recurso chamado Healing Surge. Este recurso é uma representação melhor do atual estado da saúde física do personagem e como ele não aumenta com níveis novos, é então definido pela Constituição e pela Classe do personagem. Assim, ao longo do dia de aventura, os jogadores vão gastando Healing Surges, mas mantendo seus PVs sempre ao máximo no início do encontro. PVs em D&D sempre representaram um conceito abstrato (afinal, no início da sua carreira, você morre com uma machadada, e no fim precisa de umas 20 destas para te matar, sendo que as 19 primeiras não te deixam com nenhuma dificuldade de ação), mas apesar disto, apenas magias curativas e descansos longos os recuperavam. Na 4ª Edição, exatamente por eles serem abstratos, você pode se curar de várias maneiras diferentes. Uma melhora na sua moral ou uma tomada de fôlego já recupera seus PVs. E quase todas as recuperações de PVs, tirando as mágicas, custam Healing Surges.

Apesar de todas as vantagens do sistema novo na parte do jogador, é a parte do Mestre que mais me agradou. As regras estão mais simples e vários detalhes do sistema, que sempre são escondidos do Mestre, são explicados e descritos. Coisas como: por que um determinado bônus em determinado nível é calculado, quantos bônus de itens mágicos um personagem deve ter (assim você pode facilmente eliminar os itens e dar o bônus, para campanhas menos fantásticas), entre outras coisas. O modelo de construção de encontro, levando em conta inimigos, armadilhas e detalhes do terreno é brilhantemente simples e rápido. Lidar com inimigos ficou muito simples. Todos os dados de um monstro, por exemplo, cabem em 1 quarto de folha, sendo que isso inclui a descrição de todos os poderes! Em edições anteriores, em média ocupava-se uma folha inteira, sem contar que quando o monstro possuía magias, você tinha que consultar no Livro do Jogador. Todos esses pequenos detalhes, entre outros, diminuem tanto o tempo que o Mestre precisa para criar uma aventura quanto o nível de concentração mental que se precisa gastar nos seus vários aspectos.

Obviamente, existem algumas coisas que não me agradaram. Vários monstros clássicos não apareceram, muitos rituais (magias que não afetam o combate) foram deixados para futuros suplementos, assim como há poucos itens mágicos. Há também uma grande ausência de descrição de cenário em lugares em que ela era comum, como nas descrições das classes e dos monstros. Apesar disso, a inclusão de um cenário base nos Livros Básicos torna a parte narrativa da 4ª Edição melhor que a da 2ª e da 3ª, que mal falam de cidades, reinos e raças nos Livros Básicos. Um Mestre que não queira criar um mundo do zero (ou usar um pronto) tem todas as bases necessárias para pegar o mundo básico e ambientar sua aventura nele. E como esse cenário tem uma descrição leve, ele é facilmente modificável para a campanha e os gostos do Mestre. Tem até um capítulo do Livro do Mestre que dá dicas de como fazer exatamente isso.

Finalizando, os livros estão com uma apresentação e diagramação ótimas. Os conteúdos estão bem distribuídos e mais facilmente consultáveis do que nas edições anteriores. A arte está muito bonita, apesar de algumas poucas figuras terem sido reaproveitadas da edição anterior. Para os grandes inimigos da 4ª Edição, ela ficou mais rápida, mais ágil e mais divertida. Como um vídeo game. Mas ainda com tudo que faz um bom RPG. Um dos principais objetivos da nova edição foi retirar o máximo de simulacionismo (tentativa de interpretar o mundo real através de regras) do jogo. E isso foi muito bem feito. Resta saber se o jogador em questão prefere um jogo mais simulacionista ou mais cinematográfico. Eu vou ficar sempre com a segunda opção. :)