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Por: Rayana
| 12.01.10 |
Desde que escrevi meu único post direto sobre RPG para meninas, tenho recebido muitos comentários e pedidos de mais textos sobre o ponto de vista da minoria das minorias do mundo nerd RPGístico. Sim, meninas, querendo ou não, nós sempre seremos minoria neste mundo cheio de testosterona, pelos e arrotos dos garotos da mesa. Mas ser a única fêmea num jogo não significa que você tenha que ser a menos importante, frágil ou “sem bagos” da história.
Tenha atitude ao chegar para jogar. Se arrume! Se você for solteira e gosta de nerds, onde melhor você vai arrumar um pretendente senão na sua própria mesa de RPG? Mostre que você fez sua lição de casa e tenha a ficha sempre atualizada e em mãos. Barganhe um item novo pela sua atitude, se mais ninguém se mostrar tão “aplicado”. Não faça uma personagem sem graça, mesmo que você seja tímida na vida real. Chute bundas, corte cabeças ou atire raios nos inimigos e mostre que seu grupo depende de você naquela batalha, seja ela complicada ou não.
Faça piadas nerds, mas não enquanto alguém está falando sério. Isto é um jogo, um entretenimento, mas não significa que tenha que ser esculachado. Se você tiver dificuldades de memorizar nomes de NPCs ou mesmo as características dos seus poderes, não tenha vergonha de anotar e ter cartinhas com nomes que te lembrem sempre. Dê o seu toque feminino nelas, afinal, você não precisa ser um troll das cavernas para jogar RPG, mas sim uma menina/mulher com todas as suas características. Assim, você se destaca muito mais quando vai a eventos de jogos e os caras te olham diferente. Não, você não é estranha, é aquele seu decote e seu cabelo bem cuidado que chamam a atenção. Não tenha vergonha, isso não vai te tornar superficial, menos inteligente ou menos ligada ao mundo nerd que nós tanto amamos.
Tenha referenciais, mas seja o seu principal. Eles ajudam você a ter mais atitude às vezes. Por exemplo, eu adoro a Mulher Gato e a Zatanna. Quem sabe eu não poderia botar um pouco mais dos estilos pessoais delas na minha personagem durante alguma aventura?
Se interesse pela cultura nerd geral. Não precisa se tornar uma expert em todos os assuntos, mas procure conhecer os fundamentos da sociedade geek do mundo, seus filmes, livros, HQs e afins. Você não precisa gostar de tudo (eu não gosto de mangá). Assim, você vai pegar com mais facilidade as piadas e comentários.
Se você namora alguém da mesa, principalmente o Mestre, não tente puxar vantagem para o seu lado, isso só trará inimizade com o grupo e dificilmente você será bem vista por eles. Se você ganhar algumas vantagens justamente, a culpa não é sua e eles com certeza verão isso. Principalmente se você, sozinha, matou alguns camponeses zumbis com dados altos. Todos viram que você teve sorte e se deu bem por conta própria. Às vezes, algumas pessoas questionam uns valores altos da minha ficha, mas todos eles foram feitos com rolagens de dados e até algum tempo atrás eles estavam errados, para menor! Não tinha muita experiência com fichas até então e alguns números ficaram errados, mas isso é perfeitamente normal.
Quando for adquirir novos poderes ao subir de nível, converse com as pessoas do grupo com mais experiência de jogo o que seria mais interessante de pegar, mas antes, escolha por conta própria o que você gostaria. Isso ajuda você a criar o seu próprio bom senso e a tomar decisões por conta própria.
Monte a sua personagem como você quiser, mas não abuse das loucuras. Converse com seu Mestre sobre as suas idéias. Seja criativa!
Tenha dados maneiros. Eu fiz minha coleção de dados rosas e roxos. Como no resto da minha mesa só tem cueca, fica mais fácil de identificar um perdido na mesa, afinal, aquele rosa com brilho só pode ser o seu. Isso não é sinônimo de ser “patricinha” e sim ser feminina. Rosa nem é minha cor favorita nem nada, mas eu gosto desse toque de feminilidade dentro deste mundo tão masculino.
E o mais importante: divirta-se sempre!
O Mestre e a Pinguim tiraram um longo período de férias das postagens, mas eles estão de volta com tudo em 2010!
Por: Balard
| 14.09.08 |
Dizem que a imitação é a forma mais sublime de homenagem, então estou me sentindo de certa forma homenageado. Em seu blog, nossa amiga eveblood ficou tão caidinha pelas minhas regras básicas de conquista, que resolveu usar a mais velha ferramenta da computação. Amiga nerd RPGista, não dê uma de Ladra, diga sua fonte. É sempre bom saber que minhas humildes palavras foram tão bem aceitas.
Edit: Nossa amiga resolveu tirar o post do ar e pedir desculpas. Desculpas aceitas, eve. Cuidado com o que você posta. A internet é menor do que parece.
Por: Balard
| 05.09.08 |
Nerds, dorks, cdfs.
Aqueles caras feios, esquisitos, sem nenhum charme, com menos senso de moda que um esturjão, e alguns ainda tem o hábito recorrente de se esquecer de tomar banho (é!). Com gostos e hobbies que quase não possuem mulheres, como esse ser misterioso se procria?
Por incrível que pareça, cada vez mais o número de she-nerds aumenta, com isso, os nerds que ultrapassaram a adolescência (física) tem alvos claros no quesito “pegação”. Mulheres bonitas, simpáticas, com tantas coisas em comum com o nerd, que ele se apaixona fácil, e, não sabendo qual escolher, atira para todos os lados. No fim, nosso amigo, com toda sua técnica, charme, simpatia, até com o fato de que ele trata as mulheres como pessoas, vê que nada disso parece adiantar, quando ele termina a noite vendo pornografia, e cheio de melhores amigas para ir a qualquer lugar.
Bom, meu amigo nerd, sim, eu sei que você está aí avidamente lendo isto, achando que eu tenho poderes psíquicos para saber seu comportamento! Mas você não está só! Existem centenas de milhares de nerds como você espalhados por aí, aqueles nerds tarados, que adoram mulher, alguns deles nem querendo namorar, querendo somente galinhar – macho comum de sua espécie. Eu estive no seu lugar, passei por tudo isso. E aprendi… O que segue abaixo são os conselhos de um nerd como você, que talvez ajudem na sua tentativa de sair do 0×0, do 5×1, do “se vira nos 30″. Leia esses conselhos como pequenas dicas, não como regras. Há nerds e nerds, casos e casos.
Regra #1: Não seja grudento. Não seja fofo. Não entre no Buddypoke. Isso não vai mostrar a ela que vocês tem muito em comum, e sim que você é igual aos outros dez melhores amigos dela. Mulher não gosta de homem muito próximo. Muito próximo são os amigos. Se mantenha distante.
Regra #2: Distante, mas nem tanto. Trate-a como você trataria um amigo seu. Parceirão. Gosta de anime/rpg/metal/quadrinhos/selos/vídeogame/miniaturas, é gente boa, mas nem por isso você fica colocando a mão nele em toda oportunidade, dá “abraços de urso”, se mostra ultra feliz por vê-lo, não se oferece para andar mais 3 quarteirões num bairro super seguro pra levá-lo em casa… Você entendeu o espírito. Você vai querer tratá-la dessa maneira que vamos chamar de “parceiro” sempre que estiver em público, ou até VOCÊ ou ELA se sentirem desconfortáveis com algo mais direto.
Regra #3: Não seja tímido. Pelo menos não mais que ela. Isso é essencial. Como mulheres nerds são bem tímidas, não é uma coisa tão difícil ser menos tímido que ela. Mulheres não gostam de caras frouxos, e sim de caras confiantes. Não se preocupe, a mulher nerd custuma ter um conceito de frouxo e confiante diferente do resto do mundo, então você tem como se encaixar nisso (no confiante, no confiante…).
Regra #4: Quando a situação permitir, seja numa conversa de MSN ou naquela hora que vocês ficarem sozinhos (de preferência sem você falar que ia acompanhá-la, sempre que ela se afasta do grupo – veja as regras acima), se prepare, porque você tem que ser direto! Não aja como um amigo respeitador. Você é um homem, ela é uma mulher que você QUER! Olhe com um sorriso sacana, elogie a aparência dela, comente como você acha que ela está sexy. Mulheres nerds são meio traumatizadas, ver alguém a tratando como uma mulher normal, que você sente desejo, ajuda muito. Essa é a hora de perder a timidez. Isso separa os homens dos pirralhos punheteiros (calma, você ainda pode ser um homem punheteiro, se quiser). Só cuidado para não exagerar. Analise sua nerd e perceba o quanto de avanço está confortável para ela. Você tem que surpreender, mas não chocar. Vamos chamar esse modo de modo “macho”.
Regra #5: Na hora de elogiar, não diga que ela é bonita. Ela vai achar que você está falando isso só para agradá-la, a menos que você olhe fixamente pros peitos dela. Nem sempre isso ajuda também. Elogie a roupa. Fale daquela característica dela que se destaca (boca carnuda, pernas torneadas, mãos suaves, olhar penetrante, cabelo cheiroso). Fale que ela fica sexy desse ângulo… Qualquer coisa que seja difícil de ela achar que você está falando só para agradar, tipo, com o tom de voz do avô dela.
Regra #6: Agora que você tem os dois modos, “parceiro” e “macho”, alterne entre eles. Não demostre mais interesse que por um amigo homem quando estiverem em público. Em conversas mais privadas, deixe claro que seu interesse é bem além da amizade.
Regra #7: Não seja exagerado nas suas opiniões. Nerds são bem cheios de idéias e opiniões (”Eu odeio Cavaleiros do Zodíaco! Therion é uma banda de maricas! D&D 4ª Edição é um lixo!”). Antes de falar mal de algo, de preferência descubra o que ela acha. Não só ajuda você a minimizar (”Não curto muito eles não.”), mas também ajuda você a decidir se quer alguém podre o suficiente para gostar DAQUILO!
Lembrando que essa regras são mais dicas do que propriamente regras. Há nerds e nerds, e você tem que aprender a avaliar a situação. Mesmo que isso seja uma média testada de comportamento, está longe de funcionar sempre, e mais ainda sem ajustes. Aprenda seus pontos fortes, evite seus pontos fracos e vá a caça, super Saiyajin!
Atenção!
- Não deixe corações feridos, isso é feio.
- Não dê tocos, você tomou uns 400 na sua vida toda, ou teria tomado se tivesse dado em cima de todas as mulheres que você se interessou, então dê um beijinho pelo menos, você já pegou coisa pior (isso vale para homens e mulheres).
- Nenhuma dessas regras deve ser usada com a intenção de namorar, ou quando a mina está a fim de você.
- Se ela está a fim, é fácil, ignore tudo o que eu falei porque você deu sorte! ![]()
- Não use essas regras nas suas já “amigas”, com elas o problema é bem pior.
- Não use essas regras em alguém pelo qual esteja apaixonado. Torça para ela gostar de você como você é ou se deu mal. Talvez use só a regra #7.
- Quando conseguir pegar alguém, se torne amigo daquela pessoa! E respeite-a. Tudo o que eu falei é pra convencer as mulheres de que você é uma pessoa pegável e legal, não um babaca.
Até a próxima!
Por: Rayana
| 04.09.08 |
Nerds?
“Ah sim, aqueles seres excluídos socialmente, feios, quatro-olhos, sem vida amorosa e loucos por computadores e jogos (e nada além disso).”
Esse tipo de estereótipo já está mais do que na hora de cair por terra, e tem muita gente que já compreende que nerds são muito mais do que isso, porém, ainda temos uns alienados que acreditam que isso é a suprema verdade.
Bem, mas o que isso tem a ver comigo? Começaremos quando eu era criança, ainda morando no interior de São Paulo, com cerca de 10 anos de idade. Eu podia me considerar uma nerd? Na verdade, eu nem sabia o que era isso… Mas eu, com certeza, me encaixava no perfil de CDF. Eu tinha obsessão com notas altas e cadernos passados a limpo. Vamos voltar no tempo um pouco mais ainda, na 2ª série, e veremos que eu brincava de Cavaleiros do Zodíaco com meus amiguinhos na hora do recreio… Sim, eu adorava Cavaleiros! Não perdia um episódio sequer na extinta TV Manchete. Eu podia ter amiguinhos, mas as amiguinhas achavam esse comportamento nada adequado e muitas faziam piadas maldosas que toda criança faz.
Eu cresci sendo CDF até a 6ª série, quando eu tive uma série de mudanças pessoais (inclusive de cidade, ainda no interior paulista). Deixei o meu lado “quero-ser-perfeita” não de lado, mas escondido em algum canto remoto na minha consciência, pois continuei a ser boa aluna, mas eu vi que não precisava me matar para isso (pelo menos não na época da 6ª série). Cidade nova, amigos zero. Foi aí que meu gosto por “coisas estranhas” se acentuou. Comecei a ouvir mais rock ‘n’ roll, gostava de coisas fantásticas, ocultas, um gosto pouco compatível com as pessoas “normais” da escola em que eu estudava.
Mudei de escola no colegial, e lá havia um grupinho de nerds RPGistas, jogadores de Vampiro: a Máscara. Eu conhecia as pessoas do grupo, algumas até eram da minha classe, e vejam só, eu adorava vampiros (lembrem-se do meu interesse por coisas fantásticas). Porém, minha tentativa de entrar para o mundo do RPG foi vetada por esse grupo, que não deu muita importância para minha curiosidade em conhecer o mundo deles, e eu, muito dramática, cortei todas minhas relações com o RPG depois deste episódio (ou ao menos acreditava que tinha feito isso). Eu passei a não gostar de RPG e achava que era coisa de gente chata. Mas vejam! Foram VOCÊS, RPGgistas do Brasil, que fizeram isso com uma pobre pré-adolescente que apenas queria um grupo de iguais!
Nesse meio termo, conheci a paixão da minha vida: o heavy metal. No começo eu tinha medo do Eddie, mas quanto mais eu ouvia metal, mais eu gostava e mais eu queria ouvir. Comecei classicamente, como a maioria dos “iniciados”, com o metal melódico (Angra, Avantasia, Blind Guardian, Nightwish) e mais clássico (Iron Maiden, Judas Priest). Pulei para o gothic/symphonic metal (vale lembrar – ou não – que eu parecia um urubu nessa época, graças as roupas pretas que dominavam meu armário). Tive a fase extrema, em que gostava mais de death, thrash e black metal. Eu experimentei várias vertentes do heavy metal e não podia mais deixá-lo pra trás. Eu amo heavy metal e provavelmente nunca deixarei de ouvi-lo. Hoje, anos mais tarde, eu pude definir as bandas que gosto e que não gosto de ouvir, sem a influência de ninguém. Ser um(a) headbanger novato(a) é um problema, você é muito suscetível a influências, sejam elas boas ou más, e tem medo de perder seu grupo, o qual você tanto se identificou, pois quando se começa a ouvir metal, você acaba conhecendo as pessoas que também gostam muito rapidamente. Hoje eu não ando com mais ninguém dessas turmas, e quando você descobre que não precisava ser como eles queriam, é uma ótima sensação de liberdade. Goste de Arch Enemy e Tarja Turunen ao mesmo tempo, se quiser!
Nessa época, eu gostava de jogar Age of Mythology e Heart of Darkness ao som de heavy metal… Talvez eu não tivesse escapado do mundo nerd assim tão fácil. Meu primeiro namorado era jogador de RPG e eu dizia pra ele: “Não gosto de RPG”. Acho que isso não ajudou muito o namoro… (Vamos pular aqui alguns anos da minha vida, em que eu estudei muito para o vestibular e nada interessante aconteceu – em relação ao contexto nerd de que estou falando).
Após o vestibular e as aprovações, me mudei sozinha para o Rio de Janeiro para estudar. Cidade grande, quente, cheia de gente, pessoas que gostam de praia, calor, sol, que implicam com meu sotaque… Estaria eu indo para um rumo mais torto ainda na minha vida?
Bem…
Eu conheci o Daniel um pouco depois de ter me mudado e acho que não existe ninguém mais nerd que esta pessoa. Não, ele não sabe de um assunto nerd, mas sim sobre uma gama infinita de assuntos nerds… E toda vez que eu ia na casa dele, no início do nosso namoro, eu ficava olhando as cartas de Magic: The Gathering que ele deixava na mesinha ao lado da cama e ficava me perguntando o que aquilo deveria fazer de tão interessante. Elas eram tão bonitinhas! (Nota: Daniel não se conforma de meu interesse em jogar partir da beleza das cartas). Hoje em dia eu jogo (ou tento jogar) Magic, e estou muito querendo um deck de Eventide! Graças a isso, na faculdade, eu continuo sendo a estranha que era desde a 2ª série. Tenho o livro de Vampiro: o Réquiem (trauma sendo superado?), e entendo cada dia mais sobre regras, termos e afins. Adoro dados. E fui ao EIRPG (Encontro Internacional de RPG) e me diverti imensamente. E eu descobri, ao ir num outro evento de RPG, que a maioria esmagadora dos jogadores/mestres gosta de heavy metal. Era tudo uma questão de tempo, não? O bom filho à casa torna…